
De um catálogo com cerca de 6.000 mundos conhecidos, uma equipe de cientistas reduziu a lista aos candidatos mais promissores para aprofundar a busca por vida extraterrestre.
A busca por vida além do nosso planeta e a procura por um "gêmeo da Terra" acaba de dar um passo metodológico significativo. Uma equipe de pesquisadores, liderada pela professora Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan da Universidade de Cornell, identificou os 45 exoplanetas com maior probabilidade de reunirem condições de habitabilidade.
O estudo, publicado recentemente na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, utilizou dados provenientes da recém-desativada missão Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do Arquivo de Exoplanetas da NASA. A equipe — que contou com a contribuição fundamental de três estudantes de graduação (Gillis Lowry, Lucas Lawrence e Abigail Bohl) — analisou um vasto universo de milhares de exoplanetas para chegar a essa seleção rigorosa.
Como os candidatos foram escolhidos?
Para filtrar os candidatos ideais, os cientistas avaliaram vários critérios cruciais: a quantidade de luz que os planetas recebem de suas estrelas hospedeiras, seus tamanhos, massas, idades e até mesmo a excentricidade de suas órbitas (ou seja, o quão circulares ou elípticas elas são).
Através dessa análise, os pesquisadores encontraram 45 mundos que se enquadram perfeitamente naquilo que chamam de "zona habitável empírica". Ao aplicarem critérios ainda mais restritos e rigorosos (a chamada "Zona Habitável 3D"), a lista final foi reduzida a apenas 24 planetas.
"Embora seja difícil definir o que torna um local mais propenso a ter vida, identificar onde devemos procurar é o primeiro passo fundamental. O objetivo do nosso projeto era poder dizer 'aqui estão os melhores alvos para observação'", explicou Gillis Lowry.
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| Crédito da Imagem: Gillis Lowry / Pablo Carlos Budassi |
A equipe utilizou o nosso próprio Sistema Solar como um laboratório de referência. Sabendo que a Terra é habitável, enquanto nossos vizinhos Vênus e Marte não são, os cientistas procuraram exoplanetas que recebessem uma quantidade de energia estelar situada exatamente entre os valores que Vênus e Marte recebem do Sol.
Um mapa para futuras descobertas
Apesar do entusiasmo em torno desses candidatos promissores, a equipe alerta que ainda há muito a descobrir. É necessário entender, através de futuras observações, se esses planetas conseguem, por exemplo, reter sua atmosfera por tempo suficiente e se possuem os ingredientes químicos essenciais para que a vida possa evoluir.
Ainda assim, esse novo catálogo fornece um ponto de partida vital para que a comunidade científica saiba para onde apontar os telescópios de próxima geração. A professora Kaltenegger fez até um paralelo com o famoso livro de ficção científica Devoradores de Estrelas (título no Brasil de Project Hail Mary, do mesmo autor de Perdido em Marte).
"A vida pode ser muito mais versátil do que imaginamos atualmente, por isso, descobrir qual dos 6.000 exoplanetas conhecidos seria mais propenso a abrigar seres extraterrestres pode ser crítico", afirmou a pesquisadora. "O nosso artigo revela para onde se deve viajar para encontrar vida, caso alguma vez construamos uma nave espacial como a 'Hail Mary'."
Fonte: Iflscience


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