O Brilho da Morte: A Tragédia, os Nomes e as Cicatrizes Inapagáveis do Césio-137 em Goiânia
Foto: Acervo Popular Setembro de 1987. Goiânia, capital do estado de Goiás, vivia a rotina de uma metrópole brasileira em expansão. O clima quente e seco do cerrado acompanhava o vai e vem de milhares de trabalhadores. Longe dos holofotes da Guerra Fria e das usinas nucleares de superpotências, ninguém na cidade poderia imaginar que o maior desastre radiológico em área urbana da história da humanidade estava prestes a se desenrolar em suas ruas, bairros e quintais. Diferente do desastre de Chernobyl, ocorrido no ano anterior na União Soviética, o pesadelo de Goiânia não envolveu reatores colossais, cientistas em jalecos ou sirenes de evacuação soando em uma usina. A tragédia goiana nasceu do abandono, germinou na miséria e floresceu na ignorância. O "monstro" era pequeno, cabia na palma de uma mão: uma cápsula de irídio contendo 19,26 gramas de pó de cloreto de césio-137. Um material sintético, letal, cujo brilho azulado no escuro exercia um fascínio quase místico. Este artig...






