Impacto Gigante na Lua Apaga Crateras Antigas e Surpreende Cientistas da NASA

  Um evento que estatisticamente só acontece a cada 136 anos foi registrado pela sonda LRO, criando uma cratera tão grande que acabou diminuindo o número de buracos na região.

Resumo da matéria: Analisando imagens de "antes e depois" capturadas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA, cientistas descobriram uma cratera gigantesca que acabou de se formar na Lua. O choque do meteorito foi tão violento que soterrou outras crateras menores que ficavam em volta, um fenômeno raríssimo que está ajudando a ciência a entender melhor os impactos espaciais.

Crédito imagem: NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona

A Lua é bombardeada por meteoritos o tempo todo, já que não tem uma atmosfera espessa para desintegrar as rochas espaciais antes que elas batam no chão. Só que impactos de proporções colossais são bem raros de se observar em tempo real. Recentemente, cientistas da NASA testemunharam exatamente isso: o surgimento de uma cratera tão grande que a sua formação apagou outras que já existiam no local.

A descoberta foi anunciada pelo astrônomo Mark Robinson, pesquisador principal da câmera da sonda LRO, durante o 57º Encontro de Ciências Lunares e Planetárias no Texas.

Um Evento de "1 em 136 Anos"

A sonda LRO orbita a Lua desde 2009, tirando fotos e mapeando a superfície do nosso satélite natural sem parar. Essa vigilância constante permite que os cientistas comparem as imagens e percebam quando o cenário muda. E, dessa vez, a mudança foi drástica.

Fazendo análises de rotina, a equipe identificou uma cratera recém-nascida — formada provavelmente no final do primeiro semestre de 2024 — com impressionantes 225 metros de diâmetro e cerca de 43 metros de profundidade.

"Antes dessa descoberta, a maior cratera que se formou durante a missão LRO tinha um diâmetro de 70 metros", explicaram os pesquisadores. Fazendo as contas com base no tamanho do buraco, a equipe concluiu que um impacto dessas proporções deve ocorrer estatisticamente apenas uma vez a cada 139 anos.

O Impacto que "Limpou" o Terreno Lunar

O detalhe mais curioso dessa colisão cósmica é que, em vez de apenas adicionar mais uma cicatriz à Lua, o choque violento fez com que a contagem total de crateras na região diminuísse.

Isso aconteceu porque a explosão jogou uma quantidade absurda de material (terra e pedras lunares) para fora. Essa "sujeira" espacial soterrou e destruiu os buracos menores que ficavam nas redondezas.

Segundo a equipe da NASA, apenas duas crateras bem pequenas (de 4 e 8 metros) sobreviveram perto da zona de impacto. Todas as outras com até 40 metros de diâmetro que ficavam naquele raio foram "obliteradas ou ficaram tão degradadas que não dá mais para ver". Para se ter uma ideia da força da pancada, a maior rocha que os cientistas conseguiram ver sendo arremessada para fora do buraco media 11 metros.

Testando a Matemática do Espaço

Além de render imagens incríveis, essa nova cratera virou um laboratório perfeito. Os cientistas já tinham modelos de computador que previam como o solo lunar deveria se comportar e qual seria o tamanho das pedras arremessadas em uma batida desse tamanho.

A nova cratera provou que as simulações dos computadores estavam certíssimas, validando a física que usamos para entender a formação do Sistema Solar. Como disseram os autores do estudo, ter fotos de "antes e depois" com esse nível de detalhe de um impacto tão gigante é uma "oportunidade única" para a astronomia.


Fonte: IFLScience
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