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| Imagem: Trustees of the Natural History Museum |
Muito antes da invenção da agricultura, nossos ancestrais da Idade da Pedra já tratavam seus cães como verdadeiros membros da família. Entenda a descoberta!
Você já olhou para o seu cachorro hoje, dormindo no sofá, e se perguntou desde quando os humanos e os cães são tão inseparáveis? A ciência acaba de dar uma resposta fascinante — e a nossa amizade é muito mais antiga do que a gente imaginava.
Um novo estudo, divulgado pelo site IFLScience e publicado na prestigiada revista Nature, revelou que o cão domesticado mais antigo já registrado no mundo viveu na Turquia há impressionantes 15.800 anos. Isso significa que a nossa paixão pelos cães começou muito antes de a humanidade sequer sonhar em plantar o próprio alimento.
A Descoberta que Reescreve a História
Até pouco tempo atrás, a prova genética mais antiga de um cão domesticado vinha de um sítio arqueológico na Rússia, com cerca de 10.900 anos. Porém, esse novo achado em Pınarbaşı, na Turquia, quebra o recorde com folga, empurrando a origem da domesticação canina quase 5 mil anos para o passado.
| Imagem: Kathryn Killackey |
Usando tecnologias avançadas de análise de DNA antigo e datação por radio carbono, os cientistas descobriram que, em pleno período Paleolítico (a famosa Idade da Pedra), os humanos já dividiam a vida com os peludos.
Mais impressionante ainda é a conexão global: a análise genética mostrou que esse cachorro turco de 16 mil anos tem um parentesco direto com outro cão encontrado em uma caverna no Reino Unido, datado de 14.300 anos. Isso indica que uma única linhagem de cães domesticados já viajava por toda a Eurásia, provavelmente sendo trocada entre diferentes grupos de caçadores-coletores.
Eles Já Eram Tratados Como Família
Se você trata o seu pet como um filho, saiba que nossos antepassados faziam exatamente o mesmo.
Os arqueólogos descobriram que as culturas pré-históricas integravam totalmente os cães ao seu dia a dia. Na Turquia, filhotes de cachorro foram encontrados enterrados lado a lado com humanos. Além disso, análises dos ossos mostraram que a dieta deles era igualzinha à dos seus tutores (basicamente peixe, na época).
"Isso sugere que o tipo de personalidade e valor que damos aos cães hoje já era algo comum entre os caçadores-coletores 16.000 anos atrás," explica o Dr. Lachie Scarsbrook, um dos autores do estudo.
O DNA Antigo nos Cães de Hoje
Aqui vai a parte mais legal se você tem um cachorro em casa: esses cães pré-históricos são os primeiros membros de uma linhagem que sobreviveu aos milênios.
Segundo os pesquisadores, a herança genética detectada nesses cães pioneiros está presente hoje em raças modernas que nós amamos, como o Pastor Alemão e o São Bernardo.
Em um estudo paralelo (também na Nature), os cientistas analisaram o DNA de mais de 200 esqueletos caninos antigos pela Europa. Eles descobriram que, quando os primeiros fazendeiros começaram a se espalhar pela região milênios depois, eles não substituíram os cães locais pelas suas próprias raças. Em vez disso, as linhagens se misturaram. Até hoje, cães de raças europeias carregam quase metade do seu DNA vindo desses companheiros anteriores à agricultura.
Os pesquisadores até apelidaram esse animal ancestral de "Cão Canivete Suíço", devido à sua incrível capacidade de se adaptar a todos os papéis, da caça à proteção e, claro, ao carinho familiar ao longo dos últimos 16 milênios.
Fonte: IFLScience



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